Agrupamento do Bebê – Da barriga ao carregar no pano

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Desenvolvimento Ósseo do Bebê

Como se dá o desenvolvimento ósseo do bebê na barriga? Como a postura que o bebê adota durante os 9 meses reflete, principalmente nos 3 primeiros meses, de exterogestação? Como o carregar pode contribuir para que nós, como cuidadores, respeitemos a postura fisiológica?

Para entender esses e outros aspectos convidei minha amiga e colega de profissão, Stella Campos, assesssora bebê no pano em Curitiba e que também é Tecnóloga em Radiologia e mãe carregadeira, para escrever um artigo.

 

O bebê ao nascer, não é um adulto em miniatura! Ele possui inúmeras diferenças, em termos de desenvolvimento cerebral, sistema nervoso, respiratório, circulatório, muscular e esquelético.

Conhecer um pouco sobre o desenvolvimento ósseo do recém-nascido, nos ajuda a entender todas as recomendações importantes que são feitas quando o assunto é carregar o bebê num carregador.

O esqueleto do feto é inicialmente cartilaginoso, e a ossificação começa no 2º trimestre da gestação. Um bebê nascido a termo tem cerca de 270 ossos, e um adulto tem 206 ossos. Durante os primeiros anos de vida, à medida que a criança se desenvolve, os ossos crescem e estruturas cartilaginosas se ossificam.

Ao nascer, o bebê está todo agrupado, centrado, no que é chamado de enrolamento. A posição de estar enrolado no colo, com a cabeça e os quadris voltados para o umbigo, trás a sensação de equilíbrio e bem estar para o bebê, é uma posição que dá segurança, pois a criança sente seu corpo estável e equilibrado.

Imagem de Ressonância Magnética de Feto de 36 semanas, dentro do útero, em plano sagital, realçando o enrolamento e o formato em “C” da coluna vertebral – Fonte: Arquivo Pessoal Stella Siqueira Campos

 

A coluna vertebral do bebê recém-nascido apresenta um formato fortemente curvado, em forma de “C”, e conforme os meses vão passando, ele vai adquirindo movimentos voluntários, desenvolve a capacidade de sustentar a cabeça,

desenvolvendo a curvatura secundária cervical, ao redor dos 3 a 4 meses, e a curvatura secundária lombar, surge ao redor dos 9 a 12 meses, quando o bebê começa a ficar em pé e andar. Somente com cerca de 2 anos todas as curvaturas fisiológicas da coluna vertebral já estarão desenvolvidas.

Por isso, a importância de nos primeiros meses, a coluna do bebê ser ajustada ponto a ponto no carregador.

Diferentes etapas do desenvolvimento da coluna vertebral – Fonte: Pearson Education Inc, 2012

 

Etapas de desenvolvimento motor e das curvaturas da coluna vertebral – Fonte: Ellynne Skove

 

Os ossos do quadril não estão fundidos ao nascer, eles são unidos por cartilagem, e a fusão completa somente ocorre ao redor dos 20 anos. Assim como ocorre nos outros ossos longos do corpo, o fêmur do neonato só possui o corpo ósseo, a cabeça do fêmur surgirá nos primeiros anos.

Radiografias de pelve mostrando o processo de ossificação – Fonte: Radiopaedia

 

Para que seu desenvolvimento seja o mais fisiológico possível, a postura mais ergonômica a se utilizar para carregar a criança, é com as pernas levemente abertas, com os joelhos acima da linha dos quadris, para que o peso da perna se distribua no centro do fêmur, a posição de “M”, com os pés para fora do tecido, para que não haja sobrecarga nem estímulo do reflexo de marcha, pois, diferentemente da vida intrauterina, a força da gravidade exercerá pressão sobre os membros, pressão antes aliviada pelo líquido amniótico.

Posição ideal dos quadris do bebê no carregador – Fonte: Internacional Hip Dysplasia Institute

 

Inclusive, condições patológicas congênitas, como a displasia de quadril, são tratadas mantendo o bebê imobilizado nessa posição.

Desenho demonstrando bebê em suspensório de Pavlik para tratamento da displasia de quadril – Fonte: Internacional Hip Dysplasia Institute

 

A colocação do bebê no carregador deve ser sempre na posição vertical, desde os primeiros dias, e suas vias aéreas devem ficar livres, com a cabecinha virada para o lado e elevada, para que não haja o risco de sufocamento,e suas pernas sejam mantidas na posição fisiológica.

A posição de face sempre voltada para dentro também deve ser respeitada. Carregar o bebê virado “para o mundo”, não preserva a curvatura fisiológica da coluna vertebral, não mantém os quadril posicionados em “M” e retira o bebê de sua posição de bem estar, enrolado, e o coloca numa posição estendida, associada com a posição do “mal estar” dos bebês, pois se estão com dor ou outro desconfortos se arqueiam e se esticam, perdendo o agrupamento natural. Al;em de que, virados para frente, recebem uma hiperestimulação desnecessária.

Imagens demonstrando maneira não recomendada e a maneira recomendada de posicionar o bebê no carregador – Fonte: Internacional Hip Dysplasia Institute

 

Posições adequadas e esperadas do bebê no carregador, de acordo com a idade e desenvolvimento da coluna vertebral – Fonte: Baby Doo USA

 

Por todos esses motivos, durante os primeiros meses de vida, carregadores não estruturados, como wraps e slings de argolas, são mais indicados, pois se moldam ao corpo do bebê, permitindo um ajuste adequado de sua coluna, e preservando a sua posição fisiológica.

 

Recém nascido carregado no sling de argolas, com a sua posição fisiológica preservada – Arquivo pessoal

 

Referências:

– Ministério da Saúde – Disponível em http://www.brasil.gov.br/saude/2011/10/conheca-todas-as-etapas-de-desenvolvimento-do-bebe

– O desenvolvimento da criança e do adolescente de Sidney A. Manning – Internacional Hip Dysplasia Institue – Disponível em http://hipdysplasia.org/

– ANATOMIA DO RECÉM NASCIDO E DA CRIANÇA: CARACTERÍSTICAS GERAIS – Ensaios e Ciência: C. Biológicas, Agrárias e da Saúde Vol. XII, Nº. 1, Ano 2008 Disponível em http://www.redalyc.org/pdf/260/26012806006.pdf

– CUIDADO INTEGRAL DO RECÉM-NASCIDO: PREVENÇÃO E CONDUTAS TERAPÊUTICAS, De Breno Fauth De Araújo e Silvana Salgado Nader, Editora Rubio. – Ellynne Skove para Well rounded NY, disponível em http://wellroundedny.com/baby-gear-safe/ – Babywearing Basics – Disponível em http://www.babydoousa.com/category/articles/ – Radiografias retiradas de https://radiopaedia.org/

Stella Siqueira Campos, 32 anos, mora em Curitiba, mãe do Augusto de 20 meses, Tecnóloga em radiologia, especialista em Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética, carregadeira e assessora bebê no pano.

Acesse o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=BBfGfd8Cmv4&feature=youtu.be

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