Tipos de teares: manual e semi-industrial

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Agora é hora de falarmos um pouco sobre os tipos de teares que utilizamos aqui na Cazulim. Afinal, você já percebeu que mesmo sendo 100% algodão, a qualidade e características da fibra escolhida influenciam diretamente no resultado do tecido. Entendeu que o fio escolhido também é uma variável importante, que define e altera completamente a gramatura, o toque e a resistência do tecido. Leu sobre o processo de urdimento que define um padrão de cores e tensão do tecido (horizontal) e sobre o “tampamento” desse urdume com a trama (horizontal), que resultam em um tecido plano.

Como funciona um tear?

Para começamos a falar dos tipos de tear, é importante lembrar que todos os teares são mecânicos – uma vez que possuem mecanismos de acionamento. O que muda – e mudou ao longo da história – foram os processos para se produzir mais rápido conquistar uma capacidade produtiva maior. Mas independente do processo, o princípio é o mesmo: abaixar e levantar os fios da urdidura, em um movimento harmonioso com o ir e vir da trama.

Aqui na Cazulim utilizamos o tear manual e o tear semi-industrial (ou elétrico). Eles resultam em dois tipos de produtos diferentes, que atendem públicos diferentes – mesmo quando criados a partir do mesmo tipo fio, como é o nosso caso.

Diferenças entre os teares

Imagine uma máquina de costura daquelas mais antigas e tradicionais, com funcionamento à manivela. Esse seria o tear manual.

Máquina de costura antiga à manivela
As máquinas de costura à manivela estão para o costurar assim como o tear manual está para o tecer.

Agora pense em uma máquina de costura elétrica simples, sem nenhum sistema computadorizado para a leitura de desenhos, porém com mais facilidades. Esse seria o tear semi-industrial, também conhecido como tear elétrico.

Máquina de costura elétrica
As máquinas de costura elétricas são mais modernas, assim como o tear semi-industrial.
Tear manual
Tear manual
Tear manual.

O tear manual geralmente é feito em madeira. Ele funciona através do acionamento manual dos pedais (coordenados pelas pisadas) e das batidas do pente. Conforme a força e número de batidas, produz uma trama mais aberta ou mais fechada. O tear manual depende da força humana, o que torna o processo mais lento. A produção de peças é pequena, ou seja, o tear manual resulta em um produto mais exclusivo. É considerado um trabalho artístico e com maior valor agregado.

Urdideira vertical
Urdideira vertical em ação.
Urdume sendo preparado
Rolo do urdume sendo preparado, antes de ir para o tear.
Rolo do urdume pronto para tecer
Rolo do urdume Cazulim pronto para tecer.
Passando o urdume no liço
Passando o urdume no liço.
Tecendo no tear manual
Tecendo no tear manual: urdume já passado no pente, cala aberta, trama sendo passada entre as duas camadas de fio.
Pés trabalhando no tear manual
Os pés têm papel fundamental no tear manual: trabalham nos pedais criando os repassos.
Tear semi-industrial (ou elétrico)
Tear semi-industrial
Tear semi-industrial.

Em 1785, Edmund Cartwright inventou o tear elétrico, visando aumentar a capacidade de tecer. No tear semi-industrial que utilizamos, a batida do pente é automática. Utilizamos cartelas para definir a padronagem, o que faz com que esse tear não dependa das pedaladas. Mas a lançadeira (com o fio da trama) precisa ser trocada por mãos humanas, que também fazem as emendas e cortes. A máquina precisa ser supervisionada, pois não pára de produzir mesmo quando ocorrem erros.

O resultado é um produto mais padronizado, com maior quantidade de peças produzidas no mesmo tempo, gerando com um custo menor. Porém isso não quer dizer que o tear elétrico faça tudo sozinho. Uma pessoa fica por conta do equipamento, pois um fio pode arrebentar, alguma interferência na engrenagem pode mudar a velocidade de puxar os fios… E se ocorre qualquer problema, esse profissional desmancha o pedaço de tecido com problema e voltar o processo ao mesmo passo do desenho. Outras atribuições incluem fazer as emendas dos fios da lançadeira e os cortes, preparando o equipamento para começar a tecer.

Urdideira semi-industrial
Urdideira semi-industrial.
Fios esperando o urdume
Fios aguardando o próximo urdume
Rolo de urdume passado no tear semi-industrial
Rodo de urdume já passado nos quadros do tear. Esses fios são passados manualmente.
Abertura da cala no tear semi-industrial
Abertura da cala no tear semi-industrial.
Tecendo no tear semi-industrial
Tecendo no tear semi-industrial, com urdume passando pelo pente.
rabalho manual no tear semi-industrial
Trabalho manual no tear semi-industrial: troca da linha da lançadeira.
Trabalho manual no tear semi-industrial
Trabalho manual no tear semi-industrial: emenda e corte de fio.

Os teares industriais são ainda mais automatizados – muitos deles totalmente computadorizados e ainda mais rápidos e produtivos. Não vou me alongar por pura falta de conhecimento prático com esses.

Tecido feito em tear semi-industrial
Tecido pronto, feito em tear semi-industrial, com trama diamante.

Com o rolo de tecido pronto começa outra fase do trabalho: transformar o pano em um porta-bebê, através de corte e costura. E se o pano é novidade… muito tempo de testes!

2 Respostas

  1. Amana castelo branco de oliveira torres

    Adorei o texto!! Muito bem explicado! 👏👏

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